História

Publicada: 25/07/2019 09:40

 

Conde

Século XVII. É nesse século que se inicia a história do Município de Conde, mais precisamente por volta do ano 1621. O território onde hoje se situa Conde foi no passado uma parte das terras que pertenceram a Garcia D’Ávila, latifundiário influente e poderoso do Brasil Colônia.

O então, Garcia D’Ávila, concedeu por meio de sesmaria terras ao norte de Salvador, mais precisamente aquelas próximas às margens do rio Itapicuru de Baixo. O objetivo estava em catequizar os povos indígenas, conhecidos por Tupinambás, que habitavam essa região, pois assim ficaria mais fácil conquistá-los e os colonos, então, dominariam a ocupação dessas terras que, a essa época, a Metrópole já tinha a consciência de se tratarem de terras férteis e propícias para a lavoura da cana-de-açúcar e do fumo.

É nesse contexto que se dá a colonização do território ocupado pelos jesuítas que, por sua vez, construíram uma capela dedicada a Nossa Senhora, sobre uma pequena elevação do relevo local, a qual ficou por isso conhecida pela denominação de Nossa Senhora do Monte. Essa igreja existe até hoje, localizada no distrito de Vila do Conde e é frequentada pelos cristãos. Recentemente, no ano de 2012, foi elevada a Santuário de Nossa Senhora do Monte pela Diocese de Alagoinhas-BA.

A capela de Nossa Senhora do Monte tornou-se tão importante na época colonial que em 07 de janeiro de 1702 foi elevada à categoria de Freguesia com o nome de Nossa Senhora do Monte de Itapicuru da Praia, a partir de uma solicitação do então rei de Portugal ao Provedor Mor da Fazenda Real de Estado do Brasil.

Percebe-se então, que o domínio senhorial e territorial de Garcia D’Ávila foi determinante na expansão da colonização. Um processo de povoamento de colonos que estavam incumbidos de criar gado que servisse para fornecer carne para alimentação e couro para as vestimentas da população colonizadora, onde uma mão de obra de escravos negros plantava cana-de-açúcar, tabaco e faziam as demais atividades braçais.

Porém, com o passar do tempo, no Decreto N° 9.662, de 10 de Agosto de 1935, Conde foi emancipado a município se separando do então Município de Esplanada.

Pode-se perceber, portanto, que o Município de Conde tem um passado histórico que remota ao processo de ocupação, povoamento e exploração da colônia brasileira.

A partir dessa breve descrição histórica, talvez, seja por questões como essas que o perfil de “SER” do povo condense esteja mais voltado para as atividades de agricultura e pecuária, apesar de Conde ser uma cidade litorânea.

Pois, Conde tem cerca de 42 km de litoral, distribuído em quatro praias, Barra do Itariri, Sítio do Conde, Poças e Siribinha. Está entre duas desembocaduras de rios: Itariri e Itapicuru. São praias belíssimas, três delas apropriadas para banho, todas com potencial turístico elevado e muito conhecidas na região. Ainda têm-se atividades culturais a exemplo: o Samba de Roda do Coco e a Puxada de Rede.

Mas, Conde também é conhecido como “Pantanal Baiano” por possuir uma extensa área alagada por diversos rios que cortam o território do município. Ou seja, Conde também tem potencial para o ecoturismo.

E o povo de Conde? Onde entra nesse cenário? Pelo que se percebe, ainda temos uma população que pouco conhece os atrativos da terra e pouco sabe sobre sua constituição histórica no cenário baiano e brasileiro e desconhece o mérito dos seus patrimônios naturais, materiais e imateriais. É como se cada comunidade com sua particularidade cultural, econômica e turística, vivesse seu próprio mundo.

Os munícipes da Região das Praias/Orla são de sua maioria pescadores e operadores de turismo. Eles têm traços peculiares de gente que vive em constante interação com os turistas e veranistas por isso estão mais ligados a atividades comerciais, culturais e esportivas. Os moradores das adjacências da Linha Verde preservam aquele aspecto mais tranquilo típicos do homem campo e gente que trabalha e vive da agropecuária familiar. As pessoas que vivem no Centro já têm um ritmo urbano perante ao fluxo de pessoas que vem diariamente das localidades para o Centro em busca de serviços públicos e privados.

Os Condenses carregam em sua identidade uma diversidade cultural que os configuram como um povo acolhedor e carismático.

Assim mesmo, o povo condense é cordial, pacífico, gentil e alegre. Além do que muito religioso com predomínio das religiões cristãs e alguns Terreiros de Umbanda. Também muito receptivo às festas de largo. Talvez por isso, também seja uma das poucas cidades da Bahia que festeja o Carnaval na data oficial do calendário carnavalesco e por isso, muito procurada por turistas nesse período.

Além de referência regional em festejos de Carnaval, São João e Réveillon, o município conta com um calendário oficial de eventos bastante diversificado com atividades de cunho sociocultural e de entretenimento durante o ano todo. Esse Calendário é respaldado pela Lei Municipal n. 911 de 31 de Agosto de 2017.

Portanto, Conde é um município muito importante. Cidade que mescla atividades agropecuárias onde destaca-se como o maior produtor de coco do Brasil com atividades culturais diversificadas em seu Calendário de Eventos e os diversos produtos turísticos sendo um dos munícipios mais promissores da Zona Turística Costa dos Coqueiros.

Embora ainda precise despertar um olhar para todo esse potencial para empreender as operações turísticas existentes em prol do desenvolvimento sociocultural e econômico, mas, sem esquecer-se das ações voltadas para preservação ambiental.

Vamos valorizar Conde difundindo a satisfação e privilégio de estar na Terra do Coco, nas praias, rios e estuários paradisíacos; no Cenário do Filme Tieta do Agreste; na maior orla marítima dos municípios da Zona Turística Costa dos Coqueiros; no Santuário abençoado de Nossa Senhora do Monte; na imensidão de terras verdes e com uma grande biodiversidade natural e sobretudo um povo que esbanja alegria e simpatia.

 

 

FONTE: ABREU, João Capistrano de. Capítulos de história colonial (1500-1800). Brasília: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro, 2006.Disponível:<http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2074>. Acesso em 10/07/19

BAHIA (Estado). Decreto nº 9.662, de 10 de agosto de 1935, Eleva à categoria de Vila e Distrito Administrativo do Conde e CREA o município do mesmo nome. Salvador, BA, Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XX, 1958. 10 p.

BANDEIRA, Luiz Alberto M. Feudo. A Casa da Torre de Garcia D’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.